quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Igual a você nunca existirá



Vejo então, um homem com cabelos brancos, cujo penteado é o mesmo o qual ele costumava usar
Meus olhos se enchem de água por ver pessoas semelhantes a ele e saber que por mais que a voz que ouça seja parecida, jamais escutarei palavras serem pronunciadas de sua boca
Jamais, talvez seja uma palavra forte demais, a qual não possa utilizar, pois desconheço muitos mistérios da vida, mas enquanto viver como matéria, não poderei jamais ver seu sorriso cotidianamente como costumava ser, apenas quando fechar meus olhos e lembrar das diversas vezes que o vi feliz
Quando me recordo, lágrimas escorrem dos meus olhos até meu sorriso, pois é com enorme felicidade que lembro o quanto sua presença foi especial e com enorme tristeza lembro-me de sua ausência
Desconheço até quando terei que suportar sua ausência, mas sua presença existente em minha vida me proporciona forças para suportá-la
Muitas vezes me encontro com a dúvida do porque as coisas tem que acontecer, se é destino, se é consequência ou apenas um acontecimento, apenas aceito, pois não há respostas a recorrer
Por mais que tenha me acostumado a viver assim, e tenha pessoas de tamanha importância em minha vida, me impressiona sentir que cada uma é única, que outra pode ter tanta importância quanto ou até mais, mas aquelas que realmente amamos são insubstituíveis, pois me sinto incompleta, principalmente quando penso em todas as vezes que poderíamos está juntos, em todas as coisas que poderíamos termos compartilhado e me sinto abandonada, mas não posso ter raiva porque sei que não foi uma opção, foi uma fatalidade, e não uma perda porque nunca existiram esses momentos, ou talvez até existiram, inclusive com sua presença e eu não tenha notado, mas não é a mesma coisa e nada jamais será
Então, permaneço eu conformada, mas jamais acomodada e amando-o eternamente

(Paula Meireles)

Escrito há meses atrás, porém nunca postado!


 (Paula Meireles).

Esquecer ou aceitar


Sentiu-se no peito uma dor inexplicável
Um sentimento inconceituável
Era uma ansiedade com medo que acelerava os batimentos
Era amor com raiva que proporcionava sofrimento
Vontade de fugir sem saber para onde ir
Vontade de chorar como forma de desabafar
Vontade de correr até desaparecer
Vontade de parar de pensar até a cabeça esfriar
Vontade de saber como acabar com o sofrer
Não sabia por que, mas a verdade é que se teme quando se vê como um ser passivo controlado por esse sentimento
Ou melhor, quando o controle foge de suas mãos e de seu próprio pensamento
Angústia, desespero, aflição, nervosismo, raiva e movimentação
Querer culpar alguém, querer se libertar
Querer não sentir dor, querer parar de amar
Descontrole psicológico e emocional
Insônia, ignorando o mundo real
Quanto mais se quer fazer com que esse sentimento acabe, mais controle ele ganha, fazendo com que as coisas parem de existir por algum momento
Momento que parece nunca acabar, perdendo a noção de tempo
Ele é consequência do querer e do medo do que possa vir a acontecer,
Pois quando há algo que tanto se quer, é difícil pensar em não ter
Porém para se livrar não tem que tentar controlar, pois apenas lhe resta aceitá-lo ou esperar que o tempo possa apagá-lo
Aceitar não seria uma errada decisão, pois nem tudo que é dor é ruim para o coração

(Paula Meireles)

domingo, 26 de agosto de 2007

Não é por isso, nem por aquilo


Não é porque não fiz que não gosto
Não é porque não falei que não acho
Não é por fingir que suporto
Não é por não gostar que disfarço
Não é por ser tímida que sou santa
Não é por ser santa que sou fingida
Não é por ser verdadeira que irei falar tudo
Não é por não falar que sou metida
Não é por ser metida que me acho
Não é por me achar que sou arrogante
Não é por não me dar bem que sou azarenta
Não é por ser calma que sou tolerante
Não é por me vestir que sou isso
Não é porque agi que ajo sempre
Não é por ganhar que sou boa
Não é por querer que sou carente
Não é por rezar que sou religiosa
Não é por amar que sou fanática
Não é por me distrair que sou burra
Não é por não brigar que sou covarde
Não é por brigar que sou corajosa
Não é por fingir não ter medo que ele parte
Não é por saber, que irei seguir
Não é por ser simpática que serei legal
Não é por lutar que vou conseguir
Não é por ser contra que não irei fazer
Não é por ter certeza que não irá mudar
Não é por criticar que irá diminuir
Não é por evitar que não vai acontecer
Não é por esconder que não irá aparecer
Não é por me esforçar que será bom
Não é por ser falso que não será concreto
Não é por não existir que será ilusão
Não é por insistir que ocorre
Não é por ser desconhecido que não tem explicação
Não é por ser certo que é verdade
Não é por ser igual que é padrão
Não é por dizerem que faço
Não é por sonhar que sou iludida
Não é por gritar que tenho moral
Não é por ser legal que serei ouvida
Não é por ser grande que irão me reconhecer
Não é por ser diferente que serei excluída
Não é por ter certeza que irei me comprometer
Não é por ser segura que irei tentar
Não é por ser distraída que vou cair
Não é por não ter forças que não irei levantar
Não é por viver que não estou morta
Não é por escolher que irei renunciar
Não é por amar música que irei dançar
Não é por ser insegura que não irei me arriscar
Não é por ser feia que não serei bonita
Não é por ser sem graça que não irei animar
Não é por me conceituarem que serei descrita,
pois para algumas coisas conceitos não há
Teoricamente é tudo bonito, teoricamente é tudo existente
Teoricamente é tudo conceito, mas é difícil dizer o que é coerente
Os conceitos não descrevem o que é até então ilimitado

(Paula Meireles)

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Espelho

Olhou-se no espelho e a viu
Uma menina com defeitos tão visíveis que escondiam suas qualidades
A menina do lado de cá era verdadeiramente feliz, bonita, legal e buscava a perfeição em tudo que fazia
A menina do lado de lá era feia, depressiva, melancólica e infeliz
A menina do lado de cá cravou a imagem da menina do lado de lá em sua cabeça e cada vez que fracassava, ao invés de revirar a situação, lembrava da imagem daquela menina e desistia
Cada vez mais encontrava-se parecida com a menina do lado de lá, até que chegou um momento em que as duas se tornaram uma só, a menina de lá, presa através daquele vidro, como um ser inanimado

(Paula Meireles)

Flores campestres

Uma linda flor erguia-se e balançava-se como se quisesse atenção
Muitos pés passavam correndo pelo campo e não a viam naquele chão
A flor um dia cansou de não ser vista apesar de todo seu esforço e murchou
E uma menina que sabia de sua existência a procurou
Tarde demais e a menina se lamentava dizendo que só haviam flores murchas naquele campo

(Paula Meireles)

domingo, 22 de julho de 2007

Rascunho


Junto com amanhecer, o pensamento dela se no proceder do dia
ao menos algumas palavras com ele poderá trocar
simples palavras que lhe trazem um sorriso
Ele não imagina o quanto a faz feliz, por mais que ela lhe diga,
ele não consegue acreditar muito que é o único que a faz se sentir assim
Apesar de ela ter pessoas que a façam feliz, queria tê-lo ao seu lado
Mas ele muitas vezes pensa em desistir dela
Espera que ela lhe diga um pouco das milhões de coisas que passam na sua cabeça e algo que o faça acreditar que é isso o que quer
Ela é insegura e espera uma atitude, mesmo sabendo que pode atrapalhar sua vida sem a intenção
Ela sabe que pode fazê-lo feliz e talvez seja a única
Ela às vezes indiretamente deixa escapar seus sentimentos
Ele fala dos seus sentimentos, mas não fala claramente o que realmente se passa com ele
Ela quer que ele deixe a esperança falar mais alto do que suas emoções, porque não tem intenção de decepcioná-lo
Ele quer apenas que ela seja mais clara
Junto com o anoitecer, o pensamento dela de no proceder da noite está com ele sem seus sonhos
e quando acordar talvez na realidade

(Paula Meireles)

terça-feira, 17 de julho de 2007

O Encontro

A pessoa 1 encontrava-se desolada, pois não conseguia mais amar
ela subiu no alto de umas pedras procurando ficar sozinha, porém quando chegou no topo foi surpreendida, pois havia mais 5 pessoas no lugar que até então costumava ser vazio
Ela não pode deixar de perceber que o ambiente estava melancólico
Algumas pessoas estavam tentando se matar e outras tentando convece-lás a não faze-lo
A pessoa 1 pergunta para pessoa 2 o que fazia com que ela não quisesse mais viver
ela respondeu que lhe faltava dinheiro, que sempre houve em excesso e não conseguia viver com sua ausência
A pessoa 3 interferiu falando que trocaria todo seu dinheiro por saúde, pois a pessoa 3 tinha uma doença sem cura, e estava na pedra apenas para assistir do alto o sol se pondo, a lua brilhando e sentir o vento talvez pela última vez
ao sentar lá conseguia por alguns segundos esquecer das suas fortes dores que lhe impediam de respirar

A pessoa 2 comovida, percebeu que talvez dinheiro não fosse tudo, pois ainda lhe restava forças para batalhar por ele e permaneceu no local apenas para ouvir o que as outras pessoas teriam a dizer
A pessoa 4 se pronunciou dizendo que essas eram pessoas de sorte, pois preferia que lhe faltasse dinheiro ou saúde do que capacidade
A pessoa 4 sofreu um assidente, no qual ela havia perdido as duas pernas, os dois braços e a visão
A pessoa 3 lhe responde falando que pelo menos ela teria a chance de interagir com as pessoas e com mundo e que ainda lhe restavam os outros sentidos, os quais os dela estavam com tempo contado, que preferia está em seu lugar do que morrendo e sentindo as dores inacabáveis junto com a maior de todas que era ter a certeza de que seu tempo se acabava
A pessoa 4 lhe deu razão, mesmo ainda triste percebeu que não era incapacitada como pensava, pois podia ainda pensar e tinha uma vida pela frente
A pessoa 5 que estava isolada na ponta da pedra como se estivesse a pensar se se jogaria ou não, aos poucos foi se recolhendo para um lugar mais estável
A pessoa 2 lhe perguntou o que ela fazia alí, pois parecia tão jovem e saudável, não parecia ter nenhum dos problemas citados
A pessoa 5 envergonhada responde, que apesar de ser saudável, ter dinheiro para atender suas necessidades, seus membros e sentidos, se sentia incapacitada pelo fato de ter uma aparência feia que lhe causava preconceito e exclusão
A pessoa 4 lhe diz que beleza ainda pode ter, e mesmo que não a tenha pode produzir idéias, além de praticar diversas atividades ao longo de vida tornandoa-a muito produtiva
A pessoa 5 lhe dá razão e vê quão pequeno é seu problema comparado aos outros
A pessoa 5 volta a pessoa 1 perguntando o que ela faz lá
A pessoa 1 diz que se sentia sem amor, porém ao conversar com elas, percebeu que a vida traz surpresas, que ainda pode ter tantas pessoas para amar, inclusive a si mesma
As pessoas haviam se ajudado, mas se enganaram pensando que sairiam dalí sem ver nenhum suicídio, pois a pessoa 6 mesmo após ouvir toda conversa se jogou passando por uma dor enorme antes da morte, separando todos seus membros e espalhando seu sangue por pedra abaixo
Todos ficaram perplexos, menos a pessoa 3 que argumentou falando que sua vida lhe era inútil, pois lhe faltava amor, capacidade de lutar e principalmente o mais forte, lhe faltava fé, que esta já estava morta antes de se matar, pois nela havia a maior ausência, lhe faltava o que em todas as outras pessoas ainda havia, lhe faltava a esperança

(Paula Meireles)