terça-feira, 30 de outubro de 2007

Nada há


Para não passar Outubro sem escrever
escrevo qualquer coisa sem transparecer
pois não quero aqui preencher
falando do espaço que fica vazio longe de você
não quero falar de sentimentos
não quero falar de opiniões
não quero expor minhas ideias
nem buscar explicações
só quero permanecer com meu silêncio e meu coração partido
sem ter que pedir por nada e nem expor o motivo
Às vezes o silêncio é melhor para não piorar
por isso escondo a ansiedade de querer te procurar
finjo aceitar a situação
e com coração doído, tento entender sua decisão
recolho-me daqui para encerrar
essas poucas palavras que não demonstram o que há

(Paula Meireles)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O lugar do cinza?!

Era como o cinza em um mundo em que as pessoas só enxergam em preto e branco
Parece ser um mundo sem opção
Você está destinado a se encaixar como um robô, no padrão
Como um produto rotulado, apenas atendendo a necessidade de ser a imagem que os outros querem ver para ter sua aceitação
Um mundo sem espaço para pessoas com uma diferente opinião
O destaque são os comerciantes de imagens, os hipócritas, os falsos e os com mais oportunidades
Os inovadores, os curiosos, os criativos, os que lutam por suas idéias e estão dispostos a ouvir as outras, pouco espaço têm
Pois suas idéias estão acima dos conceitos, assim como o cinza, nesse mundo dificilmente são vistos por alguém

(Paula Meireles)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Igual a você nunca existirá



Vejo então, um homem com cabelos brancos, cujo penteado é o mesmo o qual ele costumava usar
Meus olhos se enchem de água por ver pessoas semelhantes a ele e saber que por mais que a voz que ouça seja parecida, jamais escutarei palavras serem pronunciadas de sua boca
Jamais, talvez seja uma palavra forte demais, a qual não possa utilizar, pois desconheço muitos mistérios da vida, mas enquanto viver como matéria, não poderei jamais ver seu sorriso cotidianamente como costumava ser, apenas quando fechar meus olhos e lembrar das diversas vezes que o vi feliz
Quando me recordo, lágrimas escorrem dos meus olhos até meu sorriso, pois é com enorme felicidade que lembro o quanto sua presença foi especial e com enorme tristeza lembro-me de sua ausência
Desconheço até quando terei que suportar sua ausência, mas sua presença existente em minha vida me proporciona forças para suportá-la
Muitas vezes me encontro com a dúvida do porque as coisas tem que acontecer, se é destino, se é consequência ou apenas um acontecimento, apenas aceito, pois não há respostas a recorrer
Por mais que tenha me acostumado a viver assim, e tenha pessoas de tamanha importância em minha vida, me impressiona sentir que cada uma é única, que outra pode ter tanta importância quanto ou até mais, mas aquelas que realmente amamos são insubstituíveis, pois me sinto incompleta, principalmente quando penso em todas as vezes que poderíamos está juntos, em todas as coisas que poderíamos termos compartilhado e me sinto abandonada, mas não posso ter raiva porque sei que não foi uma opção, foi uma fatalidade, e não uma perda porque nunca existiram esses momentos, ou talvez até existiram, inclusive com sua presença e eu não tenha notado, mas não é a mesma coisa e nada jamais será
Então, permaneço eu conformada, mas jamais acomodada e amando-o eternamente

(Paula Meireles)

Escrito há meses atrás, porém nunca postado!


 (Paula Meireles).

Esquecer ou aceitar


Sentiu-se no peito uma dor inexplicável
Um sentimento inconceituável
Era uma ansiedade com medo que acelerava os batimentos
Era amor com raiva que proporcionava sofrimento
Vontade de fugir sem saber para onde ir
Vontade de chorar como forma de desabafar
Vontade de correr até desaparecer
Vontade de parar de pensar até a cabeça esfriar
Vontade de saber como acabar com o sofrer
Não sabia por que, mas a verdade é que se teme quando se vê como um ser passivo controlado por esse sentimento
Ou melhor, quando o controle foge de suas mãos e de seu próprio pensamento
Angústia, desespero, aflição, nervosismo, raiva e movimentação
Querer culpar alguém, querer se libertar
Querer não sentir dor, querer parar de amar
Descontrole psicológico e emocional
Insônia, ignorando o mundo real
Quanto mais se quer fazer com que esse sentimento acabe, mais controle ele ganha, fazendo com que as coisas parem de existir por algum momento
Momento que parece nunca acabar, perdendo a noção de tempo
Ele é consequência do querer e do medo do que possa vir a acontecer,
Pois quando há algo que tanto se quer, é difícil pensar em não ter
Porém para se livrar não tem que tentar controlar, pois apenas lhe resta aceitá-lo ou esperar que o tempo possa apagá-lo
Aceitar não seria uma errada decisão, pois nem tudo que é dor é ruim para o coração

(Paula Meireles)

domingo, 26 de agosto de 2007

Não é por isso, nem por aquilo


Não é porque não fiz que não gosto
Não é porque não falei que não acho
Não é por fingir que suporto
Não é por não gostar que disfarço
Não é por ser tímida que sou santa
Não é por ser santa que sou fingida
Não é por ser verdadeira que irei falar tudo
Não é por não falar que sou metida
Não é por ser metida que me acho
Não é por me achar que sou arrogante
Não é por não me dar bem que sou azarenta
Não é por ser calma que sou tolerante
Não é por me vestir que sou isso
Não é porque agi que ajo sempre
Não é por ganhar que sou boa
Não é por querer que sou carente
Não é por rezar que sou religiosa
Não é por amar que sou fanática
Não é por me distrair que sou burra
Não é por não brigar que sou covarde
Não é por brigar que sou corajosa
Não é por fingir não ter medo que ele parte
Não é por saber, que irei seguir
Não é por ser simpática que serei legal
Não é por lutar que vou conseguir
Não é por ser contra que não irei fazer
Não é por ter certeza que não irá mudar
Não é por criticar que irá diminuir
Não é por evitar que não vai acontecer
Não é por esconder que não irá aparecer
Não é por me esforçar que será bom
Não é por ser falso que não será concreto
Não é por não existir que será ilusão
Não é por insistir que ocorre
Não é por ser desconhecido que não tem explicação
Não é por ser certo que é verdade
Não é por ser igual que é padrão
Não é por dizerem que faço
Não é por sonhar que sou iludida
Não é por gritar que tenho moral
Não é por ser legal que serei ouvida
Não é por ser grande que irão me reconhecer
Não é por ser diferente que serei excluída
Não é por ter certeza que irei me comprometer
Não é por ser segura que irei tentar
Não é por ser distraída que vou cair
Não é por não ter forças que não irei levantar
Não é por viver que não estou morta
Não é por escolher que irei renunciar
Não é por amar música que irei dançar
Não é por ser insegura que não irei me arriscar
Não é por ser feia que não serei bonita
Não é por ser sem graça que não irei animar
Não é por me conceituarem que serei descrita,
pois para algumas coisas conceitos não há
Teoricamente é tudo bonito, teoricamente é tudo existente
Teoricamente é tudo conceito, mas é difícil dizer o que é coerente
Os conceitos não descrevem o que é até então ilimitado

(Paula Meireles)

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Espelho

Olhou-se no espelho e a viu
Uma menina com defeitos tão visíveis que escondiam suas qualidades
A menina do lado de cá era verdadeiramente feliz, bonita, legal e buscava a perfeição em tudo que fazia
A menina do lado de lá era feia, depressiva, melancólica e infeliz
A menina do lado de cá cravou a imagem da menina do lado de lá em sua cabeça e cada vez que fracassava, ao invés de revirar a situação, lembrava da imagem daquela menina e desistia
Cada vez mais encontrava-se parecida com a menina do lado de lá, até que chegou um momento em que as duas se tornaram uma só, a menina de lá, presa através daquele vidro, como um ser inanimado

(Paula Meireles)

Flores campestres

Uma linda flor erguia-se e balançava-se como se quisesse atenção
Muitos pés passavam correndo pelo campo e não a viam naquele chão
A flor um dia cansou de não ser vista apesar de todo seu esforço e murchou
E uma menina que sabia de sua existência a procurou
Tarde demais e a menina se lamentava dizendo que só haviam flores murchas naquele campo

(Paula Meireles)